segunda-feira, 10 de março de 2008

Declaração de crenças e convicções vitais

Creio que o homem é uno com o mundo e que viver é testemunhar, no seu estar presente, esta ligação com o Universo, deixando que a vida flua livremente nele.

Creio que cada homem é responsável pela sua vida e que nada lhe acontece que não tenha a sua participação ativa.

Creio que o crescimento do mundo é fruto das transformações interiores de cada pessoa, e que essas transformações influenciam o exterior.

Creio que o trabalho é um modo do homem estabelecer e testemunhar a sua participação ativa; e que o trabalho não vale pelo que as outras pessoas achem dele, nem pelo seu lucro, mas pela intensidade, dedicação e gosto com que ele é feito.

Creio que a família, menos que um conjunto de obrigações, é um laboratório na operacionalização do amor, uma experiência comum das diferenças individuais. É na diferença que se situam o crescimento e o amor.

Creio que as pessoas não são coisas e, portanto, não são propriedade de ninguém.

Creio que o dinheiro é um meio, um instrumento do viver, e não uma finalidade na vida.

Creio que a segurança não existe, a não ser como aceitação da insegurança básica de cada um de nós.

Creio que o amor, a bondade, a verdade e a ternura devem ser cultivados, não por imposição moral, mas porque fazem parte das leis naturais do mundo.

Creio que estamos na vida apenas para louvar a gratuidade, a simplicidade e o imprevisto; que a vida só se vive de improviso, no rascunho, não dá para passar a limpo.

Creio que nenhum de nós é o todo, mas apenas uma parte.

Creio que até nisso as pessoas são iguais: cada um é diferente.

Creio que a vida humana é múltipla em manifestação, mas uma só em essência.

Creio que há os que plantam e os que realizam. Os que realizam, quando acabam, não têm mais o que fazer: viram memória; os que plantam têm sempre o que cultivar e nunca acabam: viram história. Por isso, a nossa maior dádiva é plantar. Ao plantar, permitiremos a realização de várias coisas: viraremos história e memória.

Creio que sou criança, adulto e velho ao mesmo tempo.

Creio que para aprender a ganhar, temos que aprender a perder; que para aprender a viver, temos que aprender a morrer; que para aprender a sentir prazer, temos que aprender a sentir dor; que para aprender a saber, temos que aprender a não saber.

Creio que ser diferente é ser livre e que a pessoa mais importante do mundo, para mim, sou eu mesmo.

Creio que o passado e o futuro são importantes como referências da nossa vida, mas não como determinantes dela.

Creio que o vazio faz parte do mundo e que, como somos o mundo, jamais teremos segurança total, inteligência total, presença total, saúde total, sabedoria total.

Creio que a nossa força vem da consciência de nossa fraqueza; que a nossa coragem vem da consciência do nosso medo; que a nossa alegria vem da consciência da nossa depressão; e que nossa esperança vem da consciência do nosso desespero.

Creio que se após a morte não existir nada, esse nada é uma forma de existir.

Creio que cada um de nós é bom, verdadeiro, honesto, livre e sábio por natureza, embora, às vezes, sejamos maus, falsos, desonestos, presos e ignorantes.

Creio que assim como as trevas são uma ausência de luz, o mal não existe em si mesmo: é apenas uma ausência.

Creio que a autoridade vem dos fatos e não das pessoas; e que não queremos, não podemos e nem devemos ter qualquer compromisso com o sucesso.

Creio que viver é apenas viver e, não, viver em função de alguma coisa ou de alguém; que não estamos no mundo para viver pela nossa esposa, pelos nossos pais, pelos nossos amigos, pelos nossos filhos, nem por alguém, mas apenas para vivermos com eles.

Creio que nascemos para ser e não para ter; que existem o conhecido, o desconhecido e o incognoscível; que a vida é um mistério e que nós fazemos parte dele.

Creio que somos apenas um canal de manifestação da Vida, que lutar contra é uma forma de onipotência: é querer parar o fluxo harmônico da Natureza.

Creio que a vingança é o pior dos sentimentos humanos: ela é a manifestação premeditada e fora de controle do sentimento de ódio ao outro.

Creio que não passo de um tolo quando afirmo que sou o melhor marido do mundo, porque é mentira; que sou o melhor filho do mundo, porque é mentira; que sou o melhor pai do mundo, porque é mentira; que sou o melhor amigo do mundo, porque é mentira; ou que sou o melhor qualquer coisa do mundo, porque também é mentira.

Creio que jamais serei o melhor porque não estou em competição com ninguém, a não ser comigo mesmo, num processo contínuo de aperfeiçoamento individual.

Creio que Mestre é aquele que aprende e não aquele que ensina, porque aprender é ensinar a si mesmo.

Creio em amar o próximo como a mim mesmo e não em amar o próximo ao invés de a mim mesmo; e creio no Deus que criou os homens e não no deus que os homens criaram.

Creio que ajudar alguém não é dizer ao outro como ele tem de ser, é ajudá-lo a se ajudar, é ajudá-lo a não precisar de nós.

Creio que amor é liberdade e liberdade é o casamento entre aquilo que queremos e aquilo que podemos.

Creio que é sempre possível arranjar uma desculpa para não nos divertirmos, para não sermos felizes, mas creio que não devemos arranjar essa desculpa.

Creio que amar é ser inocente, é acreditar nas outras pessoas como uma criança acredita em outra criança; que inocência é perceber uma gota de orvalho numa flor, é ver o broto das árvores, é admirar uma borboleta, é assobiar tentando imitar o canto de um passarinho, é saudar o pôr do Sol, é dar bom dia às manhãs, é deixar uma lágrima correr livre, é sujar a roupa branca, é sujar as mãos na terra, é rir dos nossos limites, é beijar o ar, é respirar uma música, é contar as estrelas, é descer no escorregador, é desprevenir-se...

E creio que a vida é um processo de se descobrir, tarde demais, o que deveria ter sido óbvio no momento.

Esse texto foi adaptado da "Declaração de crenças e convicções vitais" do curso de Desenvolvimento Comportamental da Ordem Rosacruz - AMORC.
01/03/2007, 02:57 - 1 comentários


"Vida é o que acontece enquanto estamos ocupados fazendo outros planos." - John Lennon
Cris, o palada(www) - (20/04/2007, 17:06)

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