Bom, mentira – não se escreve um livro em um dia, ao menos não um que preste...
"Certa vez escrevi um livro" ficaria melhor, mas é muito piegas...
Que tal... "Um tempo atrás escrevi um livro"?
Ainda não...
...
"Quatorze anos atrás escrevi um livro"! Isso!
Então recomeço.
----- * ahem * -----
Quatorze anos atrás escrevi um livro.
Terminei-o, claro.
Se disse "escrevi um livro", espero que se subentenda que concluí a obra.
Mas não o tenho mais completo.
A isso chama-se "as vicissitudes da tecnologia".
Primeiro perdi a HD. Depois perdi o back up.
Não importa, ainda tenho boa parte dele, as memórias que me deixou (seria patético guardar memórias de um livro que nem lançado foi?), e – veja o lado bom! – a chance de dar-lhe um outro fim (bem ambígua, essa minha colocação...).
Enfim...
Por que o assunto do livro?
Por que mencionar um livro que escrevi, que não tenho e, pior ainda, que dificilmente vá finalizar um dia?
Porque abro o livro com a seguinte citação:
"Pudesse eu ser mais prudente! Pudesse eu ser prudente por natureza, como a minha serpente! Mas estou pedindo o impossível; assim, peço à minha altivez que acompanhe sempre a minha prudência. "E, se algum dia a minha prudência me abandonar – ah, como gosta de bater asas! – possa a minha altivez, então, voar ainda em companhia da minha loucura!"
Assim Falou Zaratustra
Friedrich Nietszche, 1883-4
Friedrich Nietszche, 1883-4
Se tinha algo que realmente prestava no meu livro, era isso: ele começava com Nietzsche - e terminava em Nietzsche.
* Uma paixão pela tão completa explanação de Nietzsche a respeito do 'nada'... algo que levou oito anos pra eu descobrir que tínhamos em comum... Não é completamente insano?
...
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