quarta-feira, 16 de julho de 2008
terça-feira, 15 de julho de 2008
Direito de resposta: Prova que é ninguém.
Para qualquer razão que me dê que justifique eu parar de te amar, te dou ao menos duas razões que façam valer o contrário.
pq me ama???
1) Amo e ponto. Não preciso de motivos, ainda que os tenha de sobra.
pára de me amar
2) Não paro de te amar, porque me pediu antes que jamais o fizesse ainda que o pedisse!
eu não sou ninguém
3) Realmente você não é ninguém - é, na verdade, alguém - com um dom e com uma missão. Para maiores informações, olhe dentro do seu interior sem qualquer preconceito próprio, e veja a pessoa linda que se esconde ali dentro, aprisionada por anos de dor e tristeza intensos.
(Se bem que... eu sempre disse "Ninguém me fará parar de fumar!" E você conseguiu a proeza...)
Gracejos à parte, logo vai se sentir melhor.
Acredito nisso.
Quanto a mim, vou estar aqui.
Ainda te amando.
-----
Salmo de Davi 30
pq me ama???
1) Amo e ponto. Não preciso de motivos, ainda que os tenha de sobra.
pára de me amar
2) Não paro de te amar, porque me pediu antes que jamais o fizesse ainda que o pedisse!
eu não sou ninguém
3) Realmente você não é ninguém - é, na verdade, alguém - com um dom e com uma missão. Para maiores informações, olhe dentro do seu interior sem qualquer preconceito próprio, e veja a pessoa linda que se esconde ali dentro, aprisionada por anos de dor e tristeza intensos.
(Se bem que... eu sempre disse "Ninguém me fará parar de fumar!" E você conseguiu a proeza...)
Gracejos à parte, logo vai se sentir melhor.
Acredito nisso.
Quanto a mim, vou estar aqui.
Ainda te amando.
-----
Salmo de Davi 30
| 5 | O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã. | |
| 6 | Eu dizia na minha prosperidade: Não vacilarei jamais. | |
| 7 | Tu, SENHOR, pelo teu favor fizeste forte a minha montanha; tu encobriste o teu rosto, e fiquei perturbado. | |
| 8 | A ti, SENHOR, clamei, e ao Senhor supliquei. | |
| 9 | Que proveito há no meu sangue, quando desço à cova? Porventura te louvará o pó? Anunciará ele a tua verdade? | |
| 10 | Ouve, SENHOR, e tem piedade de mim, SENHOR; sê o meu auxílio. | |
| 11 | Tornaste o meu pranto em folguedo; desataste o meu pano de saco, e me cingiste de alegria, | |
| 12 | Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. SENHOR, meu Deus, eu te louvarei para sempre. | |
pq me ama???
pára de me amar
eu não sou ninguém
TABACARIA
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo
que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisasS
enão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira.
Em que hei de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso?
Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio?
Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas
-Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.T
enho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim?
Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena;Come chocolates!Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.Come, pequena suja, come!Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!Meu coração é um balde despejado.Como os que invocam espíritos invocam espíritos invocoA mim mesmo e não encontro nada.Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,Vejo os cães que também existem,E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente
Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeiraTalvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira.
Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!,
e o universoReconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.
Álvaro de Campos, 15-1-1928
pára de me amar
eu não sou ninguém
TABACARIA
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo
que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisasS
enão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira.
Em que hei de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso?
Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio?
Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas
-Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.T
enho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim?
Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena;Come chocolates!Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.Come, pequena suja, come!Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!Meu coração é um balde despejado.Como os que invocam espíritos invocam espíritos invocoA mim mesmo e não encontro nada.Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,Vejo os cães que também existem,E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente
Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeiraTalvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira.
Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!,
e o universoReconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.
Álvaro de Campos, 15-1-1928
Indignação
Querida.. desculpe por ter te feito tao mal..
me perdoe.. eu so queria que as coisas voltassem a ser como eram...
a vontade q tenho é de te arrancar daqui.. e pegar vc para eu cuidar... se eu menos vc confiasse em mim a esse ponto..
estao acabando contigo minha linda vc esta acabando contigo.. e vc esta acabando comigo.. e juntas estamos nos acabando..
meu amor. como eu queria te ver bem.. como doi nao te ver bem.. e até que ponto eu nao sou culpada disso??
vc nao era assim.. eu te fiz assim... posso nao ter feito isso de proposito.. mas alguma coisa desencadeou tudo isso...
como vou ficar 30 dias sem ter noticias tuas??? nunca deixei de te amar... estaria mentindo se dissesse isso... e vc sabe todos sabem... o respeito se perdeu.. a conversa se perdeu.. a amizade.. de uma das partes se perdeu... a confianca se perdeu.. mas o amor .. esse nao se perdeu.. foi talvez a unica coisa que ainda ficou..
o que foi que eu fiz???
pq coisas ruim pesam e caem? e coisas boas sao loeves e flutuam... se espairecem no ar.. e o lodo preto continua aqui marcando tudo no chao. e em cima de mim....
tantas coisas boas acontecem.. eu sei.. mas.. nao consigo apagar as ruins e nao consigo curtir tanto as boas... nao consigo...
sou fraca d+
se eu estou mal e ninguem se preocupa.. me sinto um lixo pois ninguenm gosta d mim.. quando as pessoas se precoupam.. me sinto pessima pq nao quero tirar nem um sorriso do rosto de alguem.. entao nao quero que as pessoas se preocupem comigo.. nao... me deixem quietinha.. por favor.. me isolem.. eu nao tenho mais salvação...
Eu faço mal até p pessoa que mai eu amo..
eu a fiz chorar e nunca vou me perdoaer por isso.. nunca...
eu a fiz sentir pela primeira vez.. medo de quem ela nunca poderia ter ... medo de quem prometeu sempre estar ao lado
eu falhei com ela... falhei!
então nada mais resta...
todos sabem que ela é a coisa mais importante da minha vida
e agora até mal a ela eu faço.. ou melhor.. eu fui capaz de fazer... então...
pra que tudo isso??
me perdoe.. eu so queria que as coisas voltassem a ser como eram...
a vontade q tenho é de te arrancar daqui.. e pegar vc para eu cuidar... se eu menos vc confiasse em mim a esse ponto..
estao acabando contigo minha linda vc esta acabando contigo.. e vc esta acabando comigo.. e juntas estamos nos acabando..
meu amor. como eu queria te ver bem.. como doi nao te ver bem.. e até que ponto eu nao sou culpada disso??
vc nao era assim.. eu te fiz assim... posso nao ter feito isso de proposito.. mas alguma coisa desencadeou tudo isso...
como vou ficar 30 dias sem ter noticias tuas??? nunca deixei de te amar... estaria mentindo se dissesse isso... e vc sabe todos sabem... o respeito se perdeu.. a conversa se perdeu.. a amizade.. de uma das partes se perdeu... a confianca se perdeu.. mas o amor .. esse nao se perdeu.. foi talvez a unica coisa que ainda ficou..
o que foi que eu fiz???
pq coisas ruim pesam e caem? e coisas boas sao loeves e flutuam... se espairecem no ar.. e o lodo preto continua aqui marcando tudo no chao. e em cima de mim....
tantas coisas boas acontecem.. eu sei.. mas.. nao consigo apagar as ruins e nao consigo curtir tanto as boas... nao consigo...
sou fraca d+
se eu estou mal e ninguem se preocupa.. me sinto um lixo pois ninguenm gosta d mim.. quando as pessoas se precoupam.. me sinto pessima pq nao quero tirar nem um sorriso do rosto de alguem.. entao nao quero que as pessoas se preocupem comigo.. nao... me deixem quietinha.. por favor.. me isolem.. eu nao tenho mais salvação...
Eu faço mal até p pessoa que mai eu amo..
eu a fiz chorar e nunca vou me perdoaer por isso.. nunca...
eu a fiz sentir pela primeira vez.. medo de quem ela nunca poderia ter ... medo de quem prometeu sempre estar ao lado
eu falhei com ela... falhei!
então nada mais resta...
todos sabem que ela é a coisa mais importante da minha vida
e agora até mal a ela eu faço.. ou melhor.. eu fui capaz de fazer... então...
pra que tudo isso??
quinta-feira, 10 de julho de 2008
Um dia escrevi um livro.*
Um dia escrevi um livro.
Bom, mentira – não se escreve um livro em um dia, ao menos não um que preste...
"Certa vez escrevi um livro" ficaria melhor, mas é muito piegas...
Que tal... "Um tempo atrás escrevi um livro"?
Ainda não...
...
"Quatorze anos atrás escrevi um livro"! Isso!
Então recomeço.
----- * ahem * -----
Quatorze anos atrás escrevi um livro.
Terminei-o, claro.
Se disse "escrevi um livro", espero que se subentenda que concluí a obra.
Mas não o tenho mais completo.
A isso chama-se "as vicissitudes da tecnologia".
Primeiro perdi a HD. Depois perdi o back up.
Não importa, ainda tenho boa parte dele, as memórias que me deixou (seria patético guardar memórias de um livro que nem lançado foi?), e – veja o lado bom! – a chance de dar-lhe um outro fim (bem ambígua, essa minha colocação...).
Enfim...
Por que o assunto do livro?
Por que mencionar um livro que escrevi, que não tenho e, pior ainda, que dificilmente vá finalizar um dia?
Porque abro o livro com a seguinte citação:
Se tinha algo que realmente prestava no meu livro, era isso: ele começava com Nietzsche - e terminava em Nietzsche.
* Uma paixão pela tão completa explanação de Nietzsche a respeito do 'nada'... algo que levou oito anos pra eu descobrir que tínhamos em comum... Não é completamente insano?
...
Bom, mentira – não se escreve um livro em um dia, ao menos não um que preste...
"Certa vez escrevi um livro" ficaria melhor, mas é muito piegas...
Que tal... "Um tempo atrás escrevi um livro"?
Ainda não...
...
"Quatorze anos atrás escrevi um livro"! Isso!
Então recomeço.
----- * ahem * -----
Quatorze anos atrás escrevi um livro.
Terminei-o, claro.
Se disse "escrevi um livro", espero que se subentenda que concluí a obra.
Mas não o tenho mais completo.
A isso chama-se "as vicissitudes da tecnologia".
Primeiro perdi a HD. Depois perdi o back up.
Não importa, ainda tenho boa parte dele, as memórias que me deixou (seria patético guardar memórias de um livro que nem lançado foi?), e – veja o lado bom! – a chance de dar-lhe um outro fim (bem ambígua, essa minha colocação...).
Enfim...
Por que o assunto do livro?
Por que mencionar um livro que escrevi, que não tenho e, pior ainda, que dificilmente vá finalizar um dia?
Porque abro o livro com a seguinte citação:
"Pudesse eu ser mais prudente! Pudesse eu ser prudente por natureza, como a minha serpente! Mas estou pedindo o impossível; assim, peço à minha altivez que acompanhe sempre a minha prudência. "E, se algum dia a minha prudência me abandonar – ah, como gosta de bater asas! – possa a minha altivez, então, voar ainda em companhia da minha loucura!"
Assim Falou Zaratustra
Friedrich Nietszche, 1883-4
Friedrich Nietszche, 1883-4
Se tinha algo que realmente prestava no meu livro, era isso: ele começava com Nietzsche - e terminava em Nietzsche.
* Uma paixão pela tão completa explanação de Nietzsche a respeito do 'nada'... algo que levou oito anos pra eu descobrir que tínhamos em comum... Não é completamente insano?
...
domingo, 6 de julho de 2008
O que levo da vida....
Vida sofrida...
Doce amargo
Amargo podre
Perfume de merda
Vida de merda
Todos nós somos robôs preparados para atacar a todos e quam qualquer lugar, quando meu entender
pra que ajudar um outro robô se depois que se recuperar ele vai te matar??
então.. que o mate primeiro..
pois é isso que somos..
Robôs cheio de merda dentro
--------------------------
O Andaime (F. Pessoa)
O tempo que eu hei sonhado
Quantos anos foi de vida!
Ah, quanto do meu passado
Foi só a vida mentida
De um futuro imaginado!
(...)
A vida vivida em vão.
A 'sp'rança que pouco alcança!
(...)
Gastei tudo que não tinha.
Sou mais velho do que sou.
A ilusão, que me mantinha,
Só no palco era rainha:
Despiu-se, e o reino acabou.
(...)
Que fiz de mim?
Encontrei-me
Quando estava já perdido.
Impaciente deixei-me
Como a um louco que teime
No que lhe foi desmentido.
Som morto das águas mansas
Que correm por ter que ser,
Leva não só lembranças -
Mortas, porque hão de morrer.
Sou já o morto futuro.
Só um sonho me liga a mim -
O sonho atrasado e obscuro
Do que eu devera ser - muro
Do meu deserto jardim.
Ondas passadas, levai-me
Para o alvido do mar!
Ao que não serei legai-me,
Que cerquei com um andaime
A casa por fabricar.
Vida sofrida...
Doce amargo
Amargo podre
Perfume de merda
Vida de merda
Todos nós somos robôs preparados para atacar a todos e quam qualquer lugar, quando meu entender
pra que ajudar um outro robô se depois que se recuperar ele vai te matar??
então.. que o mate primeiro..
pois é isso que somos..
Robôs cheio de merda dentro
--------------------------
O Andaime (F. Pessoa)
O tempo que eu hei sonhado
Quantos anos foi de vida!
Ah, quanto do meu passado
Foi só a vida mentida
De um futuro imaginado!
(...)
A vida vivida em vão.
A 'sp'rança que pouco alcança!
(...)
Gastei tudo que não tinha.
Sou mais velho do que sou.
A ilusão, que me mantinha,
Só no palco era rainha:
Despiu-se, e o reino acabou.
(...)
Que fiz de mim?
Encontrei-me
Quando estava já perdido.
Impaciente deixei-me
Como a um louco que teime
No que lhe foi desmentido.
Som morto das águas mansas
Que correm por ter que ser,
Leva não só lembranças -
Mortas, porque hão de morrer.
Sou já o morto futuro.
Só um sonho me liga a mim -
O sonho atrasado e obscuro
Do que eu devera ser - muro
Do meu deserto jardim.
Ondas passadas, levai-me
Para o alvido do mar!
Ao que não serei legai-me,
Que cerquei com um andaime
A casa por fabricar.
O que levo da vida
Na vida fazemos tudo por merecimento...
por mais que nao pensamos na hora... no depois... exigimos...
Tudo oq fiz na vida foi incondicionado mas vejam só...
hj choro por não ter tido frutos dessas coisas....
O que ficou??
nada...
penso até que ponto eu estou querendo sair da depressao.. ate que ponto estou indo atras da cura... até que ponto.. seja realmente apenas uma depressao... e até que ponto estou tao perdida e tao acomodada que me vejo sempre no mesmo lugar
"Não desejo mais ser feliz e sim apenas estar consciente." A. Camus
O que ficou??? NADA
fracasso!
Acredito que logo mais me tornarei poeta, pois dizem que poeta só é poeta sempre sofre.. sofre ao acordar ao adormecer
o poeta vive em seu mundo
o poeta cria seu ser amado
e o adora tanto como uma obra divina.... uma obra da sua divindade... pois no seu mundo.. ele é rei e deus é seu criado
e com uma facilidade incredula.. em poucas linhas faz-se o amor doentil... num odio imperdoavel...
e se memso assim nao estar satisfeito... MATA o ser amado com seus proprios dentes arrancando pedaços de seu pescoço ensanguentado... e estao pode voltar a escrever poemas de amor... com a tinta do sangue derramado.. sobre o amor que lhe foi tirado
É acredito que tudo o que passei... foi preciso para me tornar um poeta
apenas um poeta
que faça risos desaparecerem.... faz suspiros nascerem e sorrisos crescerem e em lagrimas morrerem...
é isso..
nao digo que nao ganhei nada pela vida que tive... pois ganhei... ganhei o sofrimento
ganhei o coracao em carne vida e que todos que me amam sao cobertos do mais puro alcool ja produzido
meus pés são de chumbo e meus bracos de aço tudo é dificil... e de nada mais vfaleu a pena ter passado por tudo oq passei... se tenho que tirar alguma lição de tudo isso para poder sobreviver.. para poder seguir em frente...
minha lição é que eu deveria ter comecado a escrever antes...
pq querer eu queria.. mas nao queria passar pro outros oq eu sentia... agora passo.. pq sei que muitos tambem passam... e só quem vai se identificar é que lerá... ou outros. vao ter a sã consciencia da merda.. do lixo que é.. , vao gastar e falar " besteira"... mais uma besteira literaria"
------------------------
Isto (F. Pessoa)
Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!
------------------------
Autopsicografia (F. Pessoa)
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
------------------------
por mais que nao pensamos na hora... no depois... exigimos...
Tudo oq fiz na vida foi incondicionado mas vejam só...
hj choro por não ter tido frutos dessas coisas....
O que ficou??
nada...
penso até que ponto eu estou querendo sair da depressao.. ate que ponto estou indo atras da cura... até que ponto.. seja realmente apenas uma depressao... e até que ponto estou tao perdida e tao acomodada que me vejo sempre no mesmo lugar
"Não desejo mais ser feliz e sim apenas estar consciente." A. Camus
O que ficou??? NADA
fracasso!
Acredito que logo mais me tornarei poeta, pois dizem que poeta só é poeta sempre sofre.. sofre ao acordar ao adormecer
o poeta vive em seu mundo
o poeta cria seu ser amado
e o adora tanto como uma obra divina.... uma obra da sua divindade... pois no seu mundo.. ele é rei e deus é seu criado
e com uma facilidade incredula.. em poucas linhas faz-se o amor doentil... num odio imperdoavel...
e se memso assim nao estar satisfeito... MATA o ser amado com seus proprios dentes arrancando pedaços de seu pescoço ensanguentado... e estao pode voltar a escrever poemas de amor... com a tinta do sangue derramado.. sobre o amor que lhe foi tirado
É acredito que tudo o que passei... foi preciso para me tornar um poeta
apenas um poeta
que faça risos desaparecerem.... faz suspiros nascerem e sorrisos crescerem e em lagrimas morrerem...
é isso..
nao digo que nao ganhei nada pela vida que tive... pois ganhei... ganhei o sofrimento
ganhei o coracao em carne vida e que todos que me amam sao cobertos do mais puro alcool ja produzido
meus pés são de chumbo e meus bracos de aço tudo é dificil... e de nada mais vfaleu a pena ter passado por tudo oq passei... se tenho que tirar alguma lição de tudo isso para poder sobreviver.. para poder seguir em frente...
minha lição é que eu deveria ter comecado a escrever antes...
pq querer eu queria.. mas nao queria passar pro outros oq eu sentia... agora passo.. pq sei que muitos tambem passam... e só quem vai se identificar é que lerá... ou outros. vao ter a sã consciencia da merda.. do lixo que é.. , vao gastar e falar " besteira"... mais uma besteira literaria"
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Isto (F. Pessoa)
Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!
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Autopsicografia (F. Pessoa)
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
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